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Testei cinco ferramentas de orquestração de agentes. Só uma ficou aberta

Traycer, Maestri, T3Code, Orca e Buzz resolvem problemas diferentes. Depois de usá-los em entregas reais, entendi quando a orquestração ajuda — e quando vira imposto.

Capa editorial comparando Traycer, Maestri, T3Code, Orca e Buzz; o card do Orca aparece em destaque.
A pergunta que sobrou depois de cinco testes: quanto de confusão a ferramenta remove, e quanto ela inventa?

Passei as últimas semanas alternando entre Traycer, Maestri, T3Code, Orca e Buzz. Nenhuma delas ganhou um projeto de brinquedo para eu comparar features com calma: entraram em código com prazo, em branches que precisavam continuar organizadas e em tarefas que seriam entregues mesmo se a ferramenta atrapalhasse.

Isso muda o que dá para enxergar. Em demo, orquestração parece multiplicação: três agentes, três frentes, três vezes mais coisa pronta. No trabalho de terça-feira, ela é muitas vezes burocracia executada por tokens. Alguém ainda precisa escrever a spec, ler o que voltou e decidir de quem era a razão.

Então a pergunta que eu levei para o teste não foi qual delas faz mais.

Qual delas reduz mais confusão do que cria?

Não achei vencedora universal, e desconfio que ela não exista. Cada uma resolveu bem um problema diferente. Só uma continuou aberta depois que o teste acabou.

Traycer: a melhor sala de planejamento

O Traycer trata spec como parte do trabalho, não como um Markdown que alguém escreve na segunda e ninguém abre na quinta. Foi a ferramenta que melhor pegou uma ideia grande e devolveu trabalho estruturado. Quando a tarefa tem dependência de verdade e três ou quatro etapas pela frente, escrever a spec antes economiza discussão depois.

Tela do Traycer com a lista de agentes à esquerda, cada um ligado a uma revisão de PR, e abaixo a árvore de artifacts com validações, reviews e remediações; à direita, a conversa de um agente com o resultado gerado.
A árvore de agentes e artifacts é onde o Traycer ganha: dá para ver o que cada frente gerou sem abrir tudo.

Foi também onde o imposto da orquestração ficou mais visível. Uma tarefa que eu resolveria em quinze minutos pode ganhar spec, decomposição, agentes e revisão. Em algum momento eu percebo que parei de programar e estou administrando o sistema que deveria estar programando por mim.

Pode ser skill issue, pode ser configuração ruim da ADE. Não descarto nenhuma das duas. Mas se a ferramenta exige disciplina constante para não escalar toda tarefa pequena, essa disciplina faz parte do produto.

A integração com Git é o outro ponto fraco, e para quem passa o dia dentro do Git isso pesa. Mesmo assim eu voltaria ao Traycer para trabalho grande, e provavelmente vou. Para o cotidiano, era retroescavadeira demais para plantar muda.

Maestri: bons agentes numa mesa bagunçada

O multiagente do Maestri funciona bem. A ferramenta consegue manter vários agentes em movimento sem transformar a coordenação entre eles no problema principal. As notas também são úteis: servem tanto para eu organizar o que não quero esquecer quanto para deixar contexto pronto para os agentes.

Canvas do Maestri com três terminais lado a lado, nomeados api - testes, web - build e infra - deploy, e uma nota amarela com instruções de contexto para os agentes.
Terminais e notas dividem o mesmo canvas. Funciona enquanto tudo cabe em uma tela.

O problema é descobrir onde o trabalho está acontecendo. O Maestri não me parece uma ADE de verdade, mas um conjunto de terminais, navegadores e notas conectados de um jeito ainda confuso. Para reencontrar uma tarefa, eu rolava a tela procurando o painel certo. Depois rolava mais um pouco. A interface devolveu em scroll parte da atenção que os agentes tinham economizado.

Para experimentar múltiplos agentes, funciona. Em trabalho sério, eu não quero caçar a tarefa ativa dentro da ferramenta que deveria organizá-la. Hoje, não seria minha escolha para uma entrega que precisa continuar legível quando o entusiasmo do teste passa.

T3Code: a que menos tentou sequestrar meu fluxo

O T3Code tem o melhor menu lateral dos cinco. Parece elogio de resenha preguiçosa até você passar um dia inteiro pulando entre tarefas: nele eu sempre soube onde estava, o que estava rodando e para onde voltar depois da interrupção. A organização não disputa atenção com o trabalho.

Janela do T3Code com o menu lateral de tarefas à esquerda, a tarefa ativa em destaque no topo com o nome da branch, a conversa do agente no meio e o preview do artigo aberto à direita.
A tarefa ativa fica no topo com a branch embaixo do nome. É por isso que eu nunca me perdia.

O foco em máquinas remotas é igualmente direto. Conectar não virou rito de passagem: você aponta a máquina e começa.

Tem menos recursos que as concorrentes, e eu demorei a aceitar que isso não era defeito. Enquanto o resto do mercado tenta montar uma sala de controle ao lado do editor, uma ferramenta que faz pouca coisa e faz igual todo dia tem valor próprio. Não expandiu o que eu consigo fazer. Me deixou em paz, que já é bastante. Para quem está entrando nesse tipo de fluxo sem vontade de aprender uma taxonomia inteira de agentes, é a recomendação mais fácil da lista.

Orca: a que finalmente me fez usar worktree

Eu evitava worktree. Na teoria é o mecanismo perfeito para trabalho paralelo. Na prática eu esquecia qual branch estava em qual diretório, abria o editor no lugar errado, perdia o fio e terminava a semana com uma pequena operação de limpeza. O custo nunca foi o Git; foi a contabilidade mental que ele me obrigava a fazer.

O Orca tirou essa contabilidade da minha cabeça. Foi a primeira ferramenta em que tocar várias frentes ao mesmo tempo pareceu mais simples do que tocar uma de cada vez. E quando o paralelismo é real, a visualização deixa de ser enfeite de screenshot: ela responde onde cada tarefa vive e qual delas está esperando por mim.

Janela do Orca com a lista de projetos à esquerda, cada um mostrando suas branches e worktrees; a worktree deste artigo aparece destacada com a tarefa em execução embaixo, e o painel principal exibe o preview do próprio artigo.
Cada projeto abre nas suas worktrees, e a tarefa em execução fica pendurada na worktree onde ela vive. Era essa a contabilidade que eu fazia de cabeça.

As integrações com GitHub, Linear e Jira também parecem desenhadas por quem usa, não por quem preenche tabela comparativa. Dá para trabalhar sem descobrir, no pior momento possível, que metade do processo ainda é copiar e colar entre abas.

O preço aparece na primeira abertura. O Orca parece um painel de avião projetado por alguém que gosta muito de painel de avião: há recurso demais visível antes de você saber quais importam para o seu caso. Minha sugestão para quem for testar é ignorar quase tudo. Abre uma worktree, roda uma tarefa, acompanha o resultado. O resto começa a fazer sentido quando aparece uma necessidade concreta, e não antes — metade dos painéis eu ainda não abri.

Buzz: ótimo de assistir, caro de acreditar

A melhor descrição do Buzz continua sendo a mais óbvia: um Slack para agentes. E é fascinante de olhar. Você vê agentes discutindo abordagem, questionando decisão alheia e revisando o trabalho uns dos outros. Já saiu dali solução que eu não teria considerado sozinho, então o valor existe.

Janela do Buzz com lista de canais à esquerda, caixa de entrada de menções no meio e, à direita, uma thread onde um agente investiga por que um deploy não aconteceu e responde a uma pergunta minha.
Canais, menções, threads. A diferença é que do outro lado quase nunca tem gente.

O teatro também. O agente A levanta uma dúvida. O B abre três alternativas. O C sintetiza. Um quarto pede evidência. Alguns minutos e muitos tokens depois, o grupo conclui que deveria fazer a coisa óbvia, a mesma que estava na mesa no primeiro minuto. Reunião é reunião, mesmo quando ninguém na sala tem corpo.

Conversa dá uma sensação muito forte de inteligência em movimento. Levei um tempo para aceitar que não é a mesma coisa que trabalho andando.

O produto é recente e alguns bugs atravessam o uso normal. Ele também não parece querer disputar o lugar de ambiente principal de desenvolvimento, então cobrar isso dele seria injusto, ainda que a comparação com as outras quatro aconteça sozinha. Gosto da direção. Só não colocaria entrega crítica dependendo dele hoje, e por enquanto ele fica no lugar de laboratório.

A conta que nenhuma delas faz por você

Nenhuma das cinco é gratuita, e não estou falando de preço: orquestração cobra em tokens, em tempo e, principalmente, em atenção. Alguém precisa saber quem está fazendo o quê, ler o que voltou e perceber quando três agentes estão produzindo consenso caro sobre uma decisão de dois minutos.

Em trabalho grande e de fato paralelizável, a conta fecha com folga. A coordenação evita conflito e deixa você avançar em frentes que ficariam paradas esperando sua vez. Em tarefa pequena, o mesmo sistema vira despesa administrativa.

O incômodo é que nenhuma delas faz essa distinção por você. Todas assumem que, se você abriu a ferramenta, a tarefa merece o ritual.

A que ficou

O Orca ficou aberto, e não porque tenha ganhado uma comparação de funcionalidades — essa comparação eu nem sei fazer direito. Ele resolveu minha dor mais frequente, que é tocar várias frentes sem perder a relação entre tarefa, branch e contexto. Os outros quatro continuam instalados, cada um esperando um tipo de dia: o Traycer para quando uma ideia grande chega sem forma e eu preciso de spec antes de código; o Maestri para experimentar vários agentes e deixar notas entre eles; o T3Code para quando eu quero uma máquina remota e nenhuma cerimônia; o Buzz para quando estou curioso e nada depende do resultado.

É menos conclusivo do que eu gostaria, e o critério que sobrou é chato de admitir.

Se você consegue descrever a tarefa inteira em duas frases, é mais rápido abrir o editor. Orquestração começa a pagar quando a descrição já não cabe na sua cabeça.